Um dos filmes mais românticos de sempre.
Brilhante, inspirador, criativo, estranho, determinante. Estas são algumas das definições que se encontram pelos foruns na net sobre este filme. É impossível ficar indiferente ao mesmo, ou se adora, ou se odeia profundamente, se bem que esta última é normalmente uma hipótese remota. A razão para isso é que este é de facto um BOM FILME...
A questão principal do filme é: seria capaz de esquecer "um erro", uma relação, ou pessoa, se tivesse possibilidade? Seria capaz de apagá-la completamente da sua memória, esquecendo tudo que tivesse vivido e passado com ela? Quais seriam as implicações de um procedimento dessa natureza? Ficariamos libertos para prosseguir as nossas vidas, ou estaríamos destinados a repetir os nossos erros indifinitivamente, visto que não podemos lembrarmo-nos do que aprendemos com eles no passado? O argumento é Charlie "Being John Malkovich" Kaufman, com a realização geniosa de Michel Gondry.
Jim Carrey e Kate Winslet estão absolutamente fantásticos, encarnando personagens completamente diferentes do que nos habituaram: enquanto que Carrey tem um presença contida e introspectiva, Winslet é a figura extrovertida e algo neurótica e psicótica. O mais espantoso é a química que apresentam, envolvendo-nos por completo na vida daquele casal. Eles são Joel e Clementine, um casal que se conhece por acaso e se envolve numa relação intensa que com o tempo acaba por descarrilar e levar à ruptura. Após isso, é com choque que Joel descobre a sua ex-namorada "encomendou" um processo a uma clínica que fez com se esquecesse por completo dele. Revoltado, Joel decide impulsivamente fazer a mesma "operação", mas é no meio de todo o procedimento que ao "reviver" as suas memórias antigas, que o subconsciente de Joel relembra o que o fez apaixonar por Clementine, e de quão importante aquelas memórias são para ele. Assim, decide esconder "Clementine" em outras memórias, de modo a não perdê-la...
Todo o filme é um bailado de sentidos e metáforas em que apartir do momento que Jim Carrey desencadeia o processo para apagar a namorada, aliam-se os efeitos especiais e truques usandos no teatro para criar um mundo surreal, onde a realidade tem impacto no subconsciente, e o subconsciente rebeldia-se contra a realidade. É impressionante a importância do quarteto Tom Wilkinson, Mark Ruffalo, Kirsten Dunst e Elijah Wood (os membros da "equipa" que apaga as memórias) para contrastar com a "inocência" e a dor dos seus clientes, servindo também para representar os conflitos éticos envolvidos. Elijah Wood é relativamente nojento na pele de Patrick, fazendo esquecer completamente a figura honesta e franca de Frodo, e Kirsten Dunst demonstra-nos aquilo que já sabemos, que quando escolhe bons papeís, é boa actriz.
Um dos maiores filmes românticos que eu já tive oportunidade de ver, é uma oportunidade para olharmos para nós, e através de alguns risos e possivelmente lágrimas, reflectir sobre o sentido da nossa vida, do nosso passado e também dos nossos erros e desgostos.
5 estrelas
Filme de Culto