Viciado em Cinema e TV

quinta-feira, agosto 18, 2005

Crítica: A Chave


Devo dizer que de início estava um pouco resistente a este filme. Esperava algo diferente, mais macabro e com várias reviravoltas mirambolantes, contudo fiquei agradavelmente surpreendido. Sendo um filme de "terror", aposta mais no suspense e na sugestão, situação que prefiro. Para além disso, vistas bem as contas é um filme com um conceito de argumento bastante simples, o que me leva a questionar se não poderia ser uma obra que até podesse ser levada ao teatro, por exemplo... com algumas modificações é claro.

A história do filme centra-se numa assistente de enfermagem (Kate Hudson), que ainda algo traumatizada com a morte do seu pai, decide dedicar-se a doentes terminais acamados. Quando começa a desiludir-se com o meio hospitalar decide responder um anúncio de emprego, em que deverá assistir um doente vítima de um AVC (John Hurt, numa aparição bastante consistente), residindo na sua casa (nos pântanos dos suburbios de Nova Orleães), a qual é gerida pela altiva Violet Devereaux (Gena Rowlands, igualmente numa actuação bastante consistente e coerente). Com o tempo, Caroline (Kate Hudson) apercebe-se que aquela casa centenária esconde histórias que permaneceram escondidas, e acreditando que isso poderá ajudar na recuperação de John Hurt, desenvolve o seu espírito de detective de forma a conhecer aquilo que as paredes não falam. Para a judar, só acredita na sua melhor amiga Jill e no advogado do casal (Peter Sarsgaard, um actor que tem vindo a demonstrar como sendo um suporte bastante consistente em qualquer argumento).

Todo o filme desenvolve-se à volta do hoodoo, uma forma de magia que só tem efeito concrecto naqueles que acreditam nela. Não deixa de ser uma forma bastante original de neste universo. Para além disso, permite jogar com as crenças do próprio espectador, jogando num sentido com ele: o que é que o espectador acredita. Durante todo o filme, o cliché parece estar já ao rodar da esquina. Felizmente, graças à simplicidade do conceito frucal do filme, esses clichés acabam por não passar por simples ameaças, chegando à apoteose final, que é o que realmente nos surpreende... simplesmente porque é diferente das apoteoses finais a que estamos habituados.

Pessoalmente gostei do filme. Não acho que seja um grande filme para recordar, mas reafirma que por vezes a simplicidade ilude o complexo, e é por vezes por aí que conseguimos chegar a um bom filme de terror. Gostava de ver este princípio em mais filmes de suspense/terror.

Bom filme para ver se conseguir aguentar as ameaças aos clichés, e gostar mais de sugestão do que demonstração... só precisa mesmo é de acreditar...

3 estrelas
Bom

Nuno Cargaleiro @ 15:54


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